Sobre a Paralisação
Hoje estamos vivendo um momento que nunca fez parte da história da extinta FAENQUIL. Infelizmente fomos forçados a tomar essa atitude. Movimentos de paralisação, greves nunca foram meios utilizados para a solução das dificuldades encontradas pelo caminho da extinta FAENQUIL, mas essa foi a única alternativa que nossos dirigentes nos deixaram. Tentamos de tudo. Acreditamos, confiamos, buscamos ajuda, apoio, enfim, nossa luta foi muito longa e desgastante durante todos esses anos.
Esgotaram todas as nossas crenças.
Tivemos muitos períodos difíceis em nossa jornada. Se narrar aqui alguns desses fatos, muitos não vão sequer acreditar. No ano de 1990, no auge da crise FAENQUIL chegamos a trabalhar por mais de 3 meses sem receber o salário. Desde então nossa luta sempre foi muito árdua. Tudo para que a FAENQUIL, tão importante para a cidade e região e principalmente para nós que aqui trabalhávamos, não fechasse as suas portas.
Sobrevivemos também à crise da estadualização quando a FAENQUIL passou a ser uma autarquia especial, e estamos sobrevivendo a este período que ela deixou de existir e passou a ser uma unidade da Universidade de São Paulo. E hoje continuamos lutando para ter direito ao trabalho digno e justo naquilo que construímos.
Há 20 anos deixamos de ter um plano de carreira dentro da instituição, sem repasse dos encargos a que tínhamos direito, tendo sempre que recorrer à Justiça do Trabalho para obter os nossos direitos levando anos para a sua obtenção.
A FAENQUIL sobreviveu sim e resistiu graças àqueles que aqui trabalhavam. Os recursos financeiros a ela destinados eram exclusivamente para cobrir a folha de pagamento dos seus servidores e mal davam para cobrir as despesas essenciais da escola. Recursos financeiros para o desenvolvimento da pesquisa e ensino não existia. Assim, os servidores que aqui trabalhavam e que ainda continuam trabalhando não mediram esforços na busca de recursos financeiros através dos projetos de pesquisa encaminhados aos órgãos de fomento para que a pesquisa e ensino se tornassem de excelência no país.
Se esta escola não acabou não foi porque o Governo não permitiu, mas sim porque os servidores que aqui ainda hoje estão e também aqueles que já se foram não permitiram que isso acontecesse e mais, mesmo com todas as dificuldades encontradas pelo caminho a fizeram crescer e ser esta importante escola de referência para o nosso país.
Há anos estamos sendo enganados com conversas e falsas promessas. Sempre acreditamos e confiamos nos nossos superiores, mas infelizmente nunca tivemos o devido reconhecimento pelo nosso trabalho.
Sentimos muito orgulho de fazer parte da história da FAENQUIL. Somos vitoriosos por ter conseguido mantê-la viva por tantos anos e nos sentimos felizes e honrados por ela ter sido transformada em uma unidade da Universidade de São Paulo. Isto muito nos orgulha.
Hoje nossa luta é pelos nossos direitos trabalhistas sim, mas principalmente buscamos o RESPEITO que merecemos como servidores públicos que somos.
Com carinho e respeito a todos da EEL.
Maria Auxiliadora Midões Ferreira
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